E quando chega a hora das refeições...

“… novos desafios entram em marcha!”

A hora das refeições nas escolas é uma altura em que surgem muitos comportamentos indesejados: as típicas “guerras de comida”, o desrespeito pela ordem de distribuição da comida, uma linguagem desajustada e/ou palavrões, entre outros.


Sendo também um ambiente menos estruturado, as crianças com PHDA poderão ter maiores dificuldades em controlar os seus impulsos, ao nível da gestão das suas emoções e dos seus comportamentos.


Nos refeitórios escolares, o momento das refeições é relatado como difícil. As crianças com PHDA, sobretudo quando em grupo, podem facilmente dispersar da comida para outros assuntos e/ou brincadeiras (como, por exemplo, brincar com os talheres ou com a comida).
Tal como acontece nos recreios, também na hora da refeição, são as/os assistentes operacionais que se encontram a supervisionar o espaço.


Neste contexto, é importante adotar algumas estratégias que minimizem a probabilidade de ocorrerem comportamentos indesejados:

 

  • Manter o contacto visual

Para além de reforçar a cumplicidade adulto-criança, diminui a probabilidade de ocorrência de conflitos e/ou comportamentos desajustados.

 

  • Manter-se a curta distância

É importante que o espaço seja desprovido de obstáculos, possibilitando a livre circulação da(s) assistente(s) operacional pelas diferentes mesas.
A proximidade do adulto de referência constitui um reforço positivo dos comportamentos desejáveis para as crianças com PHDA.

 

  • Criar um espaço ajustado à formação da fila

A criação de um espaço físico que permita a formação de uma fila única e ordeira funciona como um ótimo organizador externo, principalmente para as crianças com maiores dificuldades em gerir os seus próprios comportamentos.

 

  • Evitar grandes grupos de refeição

Quanto maior for o número de crianças juntas na mesma refeição, mais difícil será gerir os seus comportamentos.
Subdividi-las em pequenos grupos no mesmo espaço, poderá ser a melhor opção.

Evitar que a criança “x” fique junto com a criança “y” poderá ser antecipado de uma forma lúdica. Por exemplo, criar um sistema de troca de cadeiras diário e/ou agrupar crianças através da distribuição de cores de forma não aleatória, pode ser eficaz.

 

  • Reforço e repetição de regras

É importante relembrar verbalmente as regras a cumprir. Estas devem ser simples, claras e relativas ao espaço onde se encontram.
Referem-se alguns exemplos de intervenções simples, mas úteis para reforçar comportamentos adequados.

- “tira o boné porque aqui não é necessário”,

-“a sopa já está toda comida?”,

- “quero ver os fundos dos vossos pratos bem limpinhos”,

As crianças com PHDA sabem as regras, contudo, nem sempre as conseguem cumprir, pois facilmente se dispersam para outros estímulos. Assim, quanto menos estruturado for o ambiente onde se encontram, maior será o seu nível de desorganização e desajustamento.
Repetir as regras e instruções em grupo poderá revelar-se muito útil, até porque não funcionarão como “chamadas de atenção” negativas e individualizadas, mas sim como “auxiliares de memória” sobre o comportamento desejado para todos.

 

  • Reforço positivo

Sempre que se justifique, é importante reforçar positivamente o comportamento da(s) criança(s).
Fazer chegar uma informação positiva ao professor, poderá constituir um fator de motivação extra para a criança manter o comportamento ajustado ao longo do tempo.