Gestão de Conflitos

• O que se entende por conflito?

• Os conflitos e os recreios
 

O que se entende por conflito?

No dia-a-dia, quando se fala em conflito, a ideia é negativa e associada a outras ideias também negativas, tais como: discussão, zanga, raiva, perda de tempo, mau humor, irritação, agressividade, mau ambiente, etc.

 

No entanto, se procurarmos num dicionário encontramos o seu significado como, “divergência de opinião; desacordo; confronto de ideias e opiniões…”. Assim, parece que as ideias negativas se diluem e até perdem peso.
 

De facto, o conflito também pode ser visto de uma perspetiva positiva uma vez que:

- cria oportunidades de crescimento e de mudança;
- apela a melhorias ao nível da comunicação entre os intervenientes;
- ambas as partes podem sair recompensadas.

 

Como tal, o conflito pode representar uma parte construtiva na vida das pessoas e não tem que acabar em destruição. O mais importante nem sempre é eliminar os conflitos, mas aprender a geri-los e a transformá-los num processo que resulte em aprendizagem para uma convivência respeitosa e pacífica (Boqué, 2008, p. 20).

 

Neste processo de aprendizagens, a escola desempenha um papel fundamental e reflete também a complexidade da sociedade em que está integrada.
Os diferentes conflitos e tensões que nela surgem, podem ser motivados pelos contrastes sociais, económicos, culturais e familiares, bem como pelas características pessoais e/ou as dificuldades de cada um (Estrela, 2002). 

 

Na escola, os alunos com PHDA costumam ter maiores dificuldades comportamentais não só durante os tempos de transição na sala de aula, como também nos ambientes escolares fora da sala-de-aula, que são menos estruturados e menos supervisionados (tais como, recreios, bar/refeitório, corredores, casas-de-banho).

 

No seu dia-a-dia, estas crianças enfrentam também grandes dificuldades em parar uma atividade para conseguirem passar à seguinte (Reif, 2005).

 

A luta que elas travam, ao nível da capacidade de autorregulação do seu comportamento, resulta com frequência em conflitos durante o recreio, no caminho para o autocarro/no regresso a casa, na fila de espera para o almoço, no caminho para a casa de banho, em assembleias escolares (Reif, 2005).

 

Os conflitos escolares englobam os conflitos entre os seus diversos intervenientes, como é o caso dos alunos, professores, funcionários e famílias. Por isso, é importante que toda a comunidade escolar participe e esteja envolvida no processo educativo, de modo a criar relações sociais mais positivas e a prevenir que os conflitos se transformem em violência (Abramovay, Cunha e Calaf, 2009).

 

Alguns autores afirmam que os conflitos e a violência escolar em Portugal acontecem com maior frequência em zonas urbanas e de grande densidade populacional, e nos meses iniciais de cada ano letivo, sendo a sala de aula e o recreio os locais onde ocorrem mais incidentes. (Estrela, 2002; Sebastião, Alves & Campos, 2010).

 

As crianças com PHDA, como têm tendência para apresentar maiores dificuldades de relacionamento e de perceção social, correm maior risco de obterem menos sucesso nas interações sociais, se não tiverem a oportunidade de ter uma adequada intervenção e acompanhamento (DSM-IV-TR, 2000; Roberts, 2003).

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Os conflitos e os recreios

Com base em estudos realizados em Espanha, o autor Fernández (2007) afirma que os locais e os tipos de agressão variam consoante as idades dos alunos. Assim, conclui que:

- na Primária (1º ciclo) os locais onde ocorrem mais agressões são os recreios; as agressões físicas e verbais são as mais usadas;
- na Secundária (2º e 3º ciclos e Secundárias) os locais onde ocorrem mais agressões são nos corredores e nas salas de aula; as agressões verbais e psicológicas são as mais frequentes.

 

Outros autores referem que os tempos e os espaços de recreio podem ser de grande importância educativa para os alunos (Pereira, Neto e Smith, 2003). Mas, por outro lado, também se podem tornar em locais apetecíveis para os comportamentos mais desajustados, e mesmomais agressivos, por parte dos alunos, influenciando negativamente as relações e o clima escolar.

 

Para que isso seja evitado, é fundamental que os recreios sejam adequadamente equipados, preservados e supervisionados.

 

A supervisão dos recreios está geralmente a cargo dos assistentes operacionais, principalmente no 1º ciclo, onde a sua proximidade com os alunos é muito maior. Mais tarde, com o crescimento e a chegada da adolescência, a forma como os alunos se distribuem e se comportam socialmente nos recreios vai-se também alterando, deixando-os naturalmente mais afastados dos adultos.

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