Ansiedade e Depressão

Os adolescentes com PHDA têm maior risco de ter outras perturbações psiquiátricas como a ansiedade e a depressão do que os adolescentes que não têm PHDA. 

Ao longo do tempo, quem vive com PHDA pode ir desenvolvendo sentimentos de frustração, de incapacidade, dificuldade em fazer e manter amizades, fraco desempenho académico, irritabilidade e desânimo, que podem causar ou agravar quadros de ansiedade e/ou de depressão. Estes sentimos estão relacionados com as dificuldades sentidas pelo próprio ou nas relações com a família, com escola e como meio social.

Nestes casos, encontra-se alterada a forma de apresentação dos sintomas centrais, isto é, a desatenção, impulsividade e hiperatividade: assiste-se, de um modo geral, a uma redução da irrequietude e agitação, sendo sobretudo evidentes uma lentificação e a ineficácia no desempenho escolar.

Este tipo de comorbilidades agrava o prognóstico, relativamente às situações em que cada uma das patologias surge de forma isolada, pelo que não pode ser ignorada.

Os sintomas que mais frequentemente devem ser considerados sinais de alerta para uma perturbação de ansiedade podem ser de diversa ordem, como:

- dificuldade em separar-se de casa e das figuras parentais para ir para a escola, podendo inclusive faltar às aulas, para ficar no lar;

- preocupação excessiva com as atividades escolares, sobretudo em momentos de avaliação, podendo provocar “bloqueios”, as chamadas ”brancas”;

- queixas físicas repetitivas, como dores de cabeça, dores abdominais, aumento da frequência cardíaca, sudação exagerada, sensação de falta de ar, náuseas, vómitos. Pode haver alterações alimentares e do sono (habitualmente redução do apetite e insónia), alterações do trânsito intestinal e urinário (normalmente dejeções diarreicas e micções repetidas);

- medo de que possa ocorrer algum acontecimento negativo (como um acidente, doença ou morte) ao próprio ou a algum ente querido, o que provoca um angustiante sentimento de insegurança e desproteção permanente. Não se vive bem o presente com medo do dia de amanhã…

- medo de estar só;

- excessiva dependência do adulto, normalmente uma das figuras parentais;

- podem surgir rituais obsessivo-compulsivos (pensamentos e/ou comportamentos repetitivos cujo intuito é a neutralização da ansiedade).

 

No caso dos adolescentes com PHDA que apresentam também um quadro de depressão, muitas vezes não há uma evidente expressão direta deste sofrimento psíquico, podendo este diagnóstico passar despercebido, pelo menos numa fase inicial.

Nesta faixa etária, a depressão pode manifestar-se por sintomas tão diversos como:

- alterações alimentares (diminuição do apetite e da ingestão de alimentos ou, pelo contrário, ingestão excessiva, como forma de preenchimento do “vazio depressivo”);

- alterações do sono (insónia ou hipersónia);

- irritabilidade;

- humor instável, imprevisível;

- baixa auto-estima, auto-imagem negativa;

- extrema sensibilidade à falha;

- agitação excessiva;

- comportamentos desviantes, como o consumo de álcool e substancias ilícitas, furto, comportamentos de auto-mutilação;

- fadiga, sensação de perda de energia;

- maiores dificuldades de concentração;

- diminuição do aproveitamento escolar;

- desmotivação, desinteresse, sentimento de incapacidade;

- queixas físicas recorrentes, sem causa orgânica, como por exemplo dores de cabeça ou dores abdominais;

- ausência de prazer em atividades lúdicas;

- dificuldades na relação com os outros, isolamento social;

- pensamentos recorrentes acerca da morte, ideação suicida e, por vezes, tentativas de suicídio. 

Algumas das situações em que se diagnostica depressão, foram antecedidas, meses ou anos antes, por um quadro de ansiedade. Esta pode coexistir com a PHDA e a depressão.

Para além do risco acrescido de depressão, os adolescentes com PHDA têm também maior risco de desenvolver comportamentos agressivos, desviantes, acidentes e comportamento suicida, comparativamente com os pares da mesma faixa etária que não têm PHDA. A impulsividade presente nestes jovens pode impedi-los de um maior autocontrole e reflexão antes de agirem, de modo que “passam ao ato” rapidamente.

Na presença de uma perturbação de ansiedade ou depressão no adolescente com PHDA, deve procurar-se ajuda de médicos de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (Pedopsiquiatria), no sentido de ser realizado o diagnóstico e apoio psicoterapêutico, ponderando a intervenção farmacológica.