Comportamentos de oposição e desafio

• O que se entende por comportamento de oposição e desafio?

• A PHDA, os Comportamento de oposição e desafio e a Família

 

Segundo Barkley (2005; 2008), é frequente encontrar nas crianças com PHDA outros desafios e dificuldades, sendo o comportamento de desafio e oposição o mais frequente e o principal responsável pela dificuldade da criança na regulação das emoções.

Neste contexto, é importante conhecer um pouco mais sobre este tipo de comportamento.

 

O que se entende por comportamento de oposição e desafio?

Pode ser definido como um padrão persistente de comportamentos desafiadores e desobedientes que estão presentes nas relações sociais da criança, principalmente com figuras de autoridade de uma forma geral (como é o caso dos pais e professores), mas também com os pares.

 

Os sintomas, que persistem pelo menos 6 meses e ultrapassam os limites daquilo que possa ser considerado como “mau comportamento”, podem incluir:

• perder frequentemente o controlo;
• frequentemente discutir com adultos;
• com frequência, desafiar ou recusar-se a cumprir ordens ou regras dos adultos;
• com frequência e deliberadamente incomodar os outros;
• culpar frequentemente os outros pelos seus erros ou mau comportamento;
• ser frequentemente muito sensível, ter pouca paciência e zangar-se facilmente com os outros;
• ficar frequentemente ressentido e zangado;
• ser frequentemente rancoroso ou vingativo;
• ter dificuldade em manter ou fazer amigos;
• ter problemas constantes na escola.

 

Este tipo de comportamentos pode influenciar de uma forma negativa a interação e o funcionamento social e escolar das crianças. É comum as crianças envolverem-se em discussões e conflitos, o que pode resultar na rejeição por parte dos colegas de escola e agravar a sua baixa autoestima.

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A PHDA, os Comportamentos de oposição e desafio e a Família

De acordo com diversos autores (Barkley, Edwards & Robin, 1999; Barkley, 2005, 2008), muitas vezes as famílias das crianças com PHDA manifestam elas próprias dificuldades em gerir as suas emoções, pelo que têm dificuldades em ensinar as crianças como fazê-lo adequadamente.

Estas crianças beneficiam de ser educadas com alguma firmeza mas, ao mesmo tempo, com afeto.


Quando há coexistência de PHDA e de comportamentos de desafio e oposição, as expectativas dos pais devem ser realistas e ajustadas à situação. É importante que os pais definam prioridades, “escolham as suas lutas” e principais desafios, concentrando-se no que é mais importante e trabalhar primordialmente essas questões.
 

Como tal, sugerem-se algumas estratégias comportamentais que podem ajudar os pais a modelarem as suas atitudes, com o objetivo de evitar a desobediência das crianças e de diminuir a tensão familiar:

 

Instruções concretas e simples:
- as frases devem ser simples, sem grandes argumentações, para não se dispersarem até ao final do discurso do progenitor;
Por vezes, quanto mais explicações os pais derem sobre determinada tarefa ou instrução, maior será a probabilidade da criança se dispersar do essencial da mensagem a transmitir.
- especificar os pedidos, devendo o discurso ser claro, de modo a não deixar dúvidas;
- se a criança com PHDA tem dificuldades acrescidas na memórização a curto prazo, solicitar várias tarefas seguidas só aumentará a probabilidade de não realização das mesmas.
- pedir à criança que se comporte “como deve ser” numa ida ao restaurante, não clarifica o que se espera e/ou o que não se espera que ela faça.

 

Instruções num tom calmo

- face à habitual dificuldade em cumprir solicitações, é frequente que os pais ditem a ordem já em tom de ameaça ou irritação, como se a recusa já tivesse ocorrido.
Se for usado um tom de voz calmo e tranquilo, será o exemplo que a criança terá para imitar o pai/mãe, o que vai contribuir para atenuar um possível clima de hostilidade e conflito.

 

Instruções dadas a curta distância

- privilegiar uma posição física próxima da criança;
- manter o contacto ocular para assegurar que a criança compreendeu o que lhe foi solicitado;
- falar num tom de voz firme.
Por exemplo, falar de uma divisão da casa para outra poderá revelar-se ineficaz, pois a criança irá manter-se desatenta e provavelmente sem cumprir a indicação.

 

 

Instrução de forma imperativa

- sempre que desejamos que uma tarefa seja cumprida, a instrução deve ser dada de uma forma clara e assertiva, usando o verbo na forma imperativa.
Usar interrogações como ”queres ir acabar de arrumar o quarto agora?”, permite que a criança responda “não”, podendo negar-se à realização da tarefa.
 

Instruções consistentes
- é importante verificar se as expectativas, enquanto pai ou mãe, em relação ao filho não variam de dia para dia;
- outro aspeto importante está relacionado com a consistência entre os progenitores, que devem esforçar-se por transmitir a mesma atitude.
Quando existem diferenças significativas entre aquilo que o pai autoriza ou não a criança fazer, face ao que a mãe autoriza, a criança facilmente as deteta. Isto poderá ser usado para manipular os progenitores, de forma a conseguir fazer sempre o que deseja.

 

Instrução sem antecedência
- interromper uma atividade de lazer e/ou brincadeira, com um pedido que a criança possa considerar desagradável, vai aumentar a probabilidade de conflito e a não realização do mesmo.
Por exemplo, quando o objetivo for arrumar os brinquedos após uma brincadeira, poderá ser benéfico, e mais produtivo, dar a instrução apenas no final da mesma e não enquanto decorre a brincadeira.

 

Repetição de instruções e regras

- sempre que uma instrução/ordem for dada, deve-se evitar que esta seja adiada e/ou não cumprida;

- é igualmente importante nunca desistir do cumprimento da mesma.

 

Manter e reforçar uma atitude positiva

- é importante reforçar e elogiar o comportamento desejado da criança, reduzindo o mais possível comentários negativos (o que não significa ignorar sempre os comportamentos desajustados).
Os elogios não devem ser vagos, mas sim específicos. Quando a criança finalmente põe a mesa por iniciativa própria, em vez de dizer “já estás crescidinha a ajudar a mãe” ou “finalmente…não fazes mais do que a tua obrigação”, é preferível dizer “estou muito contente por pores a mesa sozinha, sem eu mandar!”.

 

Disponibilizar opções

- sempre que possível, é importante dar alguma liberdade de escolha às crianças;
- contudo, deverão ser sempre explicadas previamente quais as opções possíveis e antecipar as respetivas consequências, de modo a passar para a criança a responsabilidade da sua escolha. Para as crianças com PHDA, o reforço das instruções e o antecipar de relações de causa-efeito, ajudá-las-á progressivamente ao nível da capacidade de autorregulação e de planeamento e organização das tarefas.

 

Na realidade, educar uma criança com PHDA e com perturbação de desafio e oposição pode ser um desafio muito difícil e desgastante.


Assim, é importante que os próprios pais criem um espaço e tempo próprios, para alguma distanciamento que propicie a reflexão acerca do seu contexto familiar, o que permite analisar as suas próprias atitudes e comportamentos.

 

No mesmo sentido, existem outro tipo de estratégias e/ou atividades, nas quais os pais poderão investir individualmente, descobrindo alguns métodos de relaxamento como, por exemplo, uma atividade desportiva do seu gosto e interesse e/ou a prática de yoga ou meditação.

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“Aprendermos a cuidar de nós, contribui para aprendermos a cuidar do outro
e esse pode ser, por vezes, o primeiro grande desafio da parentalidade…”