Dependência de ecrãs?

 

Os dispositivos digitais estão por todo o lado e são muito atrativos para todos.

ecrãs videojogos

 

Muitas crianças e adolescentes com PHDA têm desafios no controlo dos impulsos (aversão a esperar) e no relacionamento com os pares na “vida real” relacionados com a atenção, a flexibilidade e a gestão de conflitos. Para além disso, o processo de aprendizagem e os resultados escolares podem ser sentidos como pouco gratificantes. Todos estes fatores tornam as atividades solitárias com ecrãs muito apetecíveis.

 

Os jogos são atrativos porque têm elementos de novidade, movimento e desafio que ativa a atenção visual e o sistema de recompensa do cérebro. Os objetivos a curto termo e sistemas de prémios e pontos permitem uma gratificação imediata que incentiva a continuar a atividade (não é necessário esperar!). Podem alimentar um sentimento de sucesso e competência.

 

Por outro lado, os vídeos e os sites permitem navegar nas muitas ideias que surgem, alimentar o imaginário e técnicas dos jogos, divertir-se com piadas e encontrar qualquer tipo de informação.

 

Contudo, também existem desvantagens da utilização excessiva destes dispositivos:

  • Podem consumir quase todo o tempo livre da criança, substituindo atividades mais físicas e saudáveis, mais variadas e enriquecedoras. As competências sociais e a resolução de problemas precisam de ser exercitadas em situações reais;

  • Treinam um tipo de atenção dependente da rapidez do estímulo, da novidade, da adrenalina, da gratificação imediata. Depois de muitas horas com este tipo de estímulos, o cérebro pode ficar pouco ativado com atividades de outro tipo, que parecem demasiado paradas e desinteressantes;

  • Cada vez mais se fala do risco de dependência, podendo ter um padrão de ativação cerebral semelhante às drogas. Neste caso, os jovens mostram dificuldade em parar, mal-estar quando não têm acesso e negligência de outras atividades e áreas da vida para poder ficar mais tempo a jogar.

 

Então, que fazer?

É fundamental não deixar os jovens em auto-gestão sobre este assunto, conversando e negociando regras sobre a utilização dos média digitais que são mesmo para cumprir. Estas palavras-chave podem ajudar:

QUANDO: em qualquer idade, limite o acesso aos ecrãs na hora de dormir, porque a luz atrasa o início do sono. Os ecrãs devem ser suspensos 30 minutos antes da hora que foi combinada para deitar e a criança deve aprender a adormecer sem eles.

QUANTO: pergunte ao seu filho quantas horas de ecrã por dia parecem razoáveis, depois de explicar as desvantagens da utilização excessiva para o cérebro e para a visão. Se a resposta não for razoável, negoceie conforme os dias (semana/ fim de semana) e a época do ano (escola/ férias): duas horas? Três? Quatro? Quanto tempo sobra para outras atividades, nomeadamente para estar com amigos e com os pais no fim do dia? Ou fica cada um com o seu ecrã sem conseguir conversar? Para algumas crianças, 4 horas de jogos já é demasiado, mostrando-se menos comunicativas ou muito irritadas quando acaba o jogo.

CONTEÚDO: o tipo de conteúdo é muito importante. Não vai querer encher a cabeça do seu filho de “lixo”, violência e maus exemplos de comportamento. Para além disso, existem classificações de idade recomendada para os videojogos. Um jogo classificação PEGI 16 não é apropriado antes dos 16 anos.

 

A parte do cérebro que nos ajuda a fazer boas escolhas (córtex pré-frontal) é a última a amadurecer. Os jovens com PHDA tendem a ser ainda mais imaturos a este nível. Por isso, precisam que os pais sejam pais e os ajudem a fazer boas escolhas, incluindo a forma como utilizam o tempo livre.

Ajude-os a pensar em atividades alternativas e ouça o que têm para dizer. Participe no tempo de lazer. Se o seu filho apresentar sinais de dependência, fale sobre isso como seu médico ou psicólogo.