Lidar com o bullying na escola

O bullying é hoje em dia um tema muito falado e comentado nos meios de comunicação social e existe em praticamente todas as escolas. Como pais, é natural que se questionem como podem ajudar os vossos filhos, se algum dia eles chegarem a casa dizendo que algo não está bem na escola, que são vítimas de bullying. Ou se, pelo contrário, têm sistematicamente queixas dos professores relativamente ao relacionamento do seu filho com os colegas, e se questionam, “e se o meu filho é um agressor?”

As crianças com PHDA, devido às dificuldades na autorregulação do seu comportamento, podem estar mais sujeitas a conflitos com os colegas, sobretudo as mais hiperativas e impulsivas. Mas também as desatentas, por serem despistadas, desorganizadas e algumas vezes manifestarem dificuldades no desempenho escolar, podem ser vítimas de maus tratos pelos colegas.

O bullying é mais frequente nas escolas, sobretudo nos recreios, onde a vigilância e supervisão por parte dos adultos não é tão apertada. Também pode ocorrer na periferia da escola, nos corredores, escadas e sala de aula, bem como fora da escola, em atividades desportivas em que participem, por exemplo. Existem três critérios que caracterizam o bullying: a intencionalidade (o agressor quer causar mau estar e controlar), a frequência dos comportamentos (são repetidos ao longo do tempo) e o desequilíbrio de poder entre o agressor e a vítima.

O bullying pode começar na pré-escola e atingir um ponto máximo no 2º e 3º ciclos do Ensino Básico. Tendencialmente declina no Ensino Secundário e Universitário. Inclui vários comportamentos como a agressão física, o roubo, a ameaça, o amedrontar, o gozar, o isolar, o envergonhar. Tendencialmente os rapazes recorrem mais à agressão física enquanto que as meninas optam por uma agressão indireta, sob a forma de maldizer ou humilhação verbal. Hoje em dia o cyberbullying também é usado como uma forma de bullying, difamando-se e atacando-se a vítima através de vídeos ou rumores colocados na internet.

 

O meu filho é vítima de bullying?

O bullying provoca significativo mau estar nas crianças e adolescentes, sendo importante os pais estarem atentos a sinais como:

- não querer ir à escola;

- perda de apetite, dores de barriga, vómitos, dores de cabeça frequentes;

- apatia;

- querer ficar em casa e deixar de fazer algumas atividades de que gostava;

- dificuldades de concentração;

- dificuldades em adormecer, pesadelos;

- baixa auto-estima, tristeza, ansiedade, irritabilidade;

- diminuição do rendimento escolar.

 

O que fazer?

- Se achar que o seu filho é vítima de bullying, o importante é confirmar essa suspeita perguntando-lhe diretamente e averiguando a veracidade dos factos. É fundamental construir uma relação de abertura e confiança para que os filhos tenham à vontade para contar aquilo que os preocupa, as dificuldades que sentem. Por vezes, a vergonha por não se saberem defender e a culpa que os acompanha constitui um obstáculo, e os pais acabam por não se aperceber dos maus tratos a que os filhos estão sujeitos. Culpar a criança por não se defender é a pior atitude e só aumenta o seu sofrimento. Pelo contrário, a criança deve ser elogiada pela sua coragem em contar o que se passa.

- Outro passo muito importante, será dar a segurança ao seu filho que tudo se irá resolver e que para isso terá que se agir. Ficar de “braços cruzados” ou com medo que se se fizer queixa possam haver retaliações, não vai resolver o problema.

- Deste modo avisar a escola, falando com o professor titular, o diretor de turma ou mesmo o Conselho Executivo da escola é o passo seguinte a dar. Se é na escola que o bullying ocorre, cabe à escola tomar as medidas necessárias para o combater. É contudo muito importante não expor a criança que foi vítima de bullying nem os seus sentimentos.

- É também muito importante ajudar o seu filho a saber reagir, de forma não violenta, às agressões dos bullies. Saber defender-se de uma provocação, de um insulto ou outro tipo de agressão é fundamental para deixar de ser uma vítima.

- Além disso, o seu filho pode precisar de apoio psicológico, no sentido de arranjar estratégias para lidar com o bullying, para se defender, para ganhar autoconfiança, para ser mais assertivo.

 

Como falar com a escola, se o meu filho estiver a ser vítima de bullying?

Muitas vezes as crianças têm vergonha em contar que são vítimas de bullying. Como pai deverá procurar que a escola tenha conhecimento da situação. Contudo, as escolas também têm um papel importante na disponibilização de meios para denúncia destas situações pelas próprias crianças, nomeadamente a denúncia anónima.

No seu contacto com a escola do seu filho, poderá ter em consideração os seguintes aspetos:

- Apresente o problema de forma tranquila, tendo em atenção a perspetiva da criança.

- Verbalize os seus sentimentos e emoções.

- Concentre-se em enfrentar e resolver o problema, não na atribuição de culpa.

- Procure pensar em soluções e atitudes realistas em conjunto com a escola porque pais e escola devem enfrentar este problema juntos.

- Marque novos encontros regulares com a escola para avaliar os resultados e para perceber se o seu filho está reintegrado.

 

O meu filho é agressor?

Não são só as vítimas que precisam de ajuda, os agressores também precisam igualmente de ajuda. Muitas vezes, o que acontece é que estas crianças foram também elas vítimas de agressões, replicando modelos de interação aprendidos.

Alguns sinais de que o seu filho possa ser um agressor:

- faz comentários insultuosos sobre os colegas;

- tem chamadas de atenção constantes por parte da professora titular ou diretora de turma sobre o seu comportamento em relação aos colegas;

- tem dificuldade em lidar com contrariedades;

- é desafiador e provocador;

- tem dificuldade em cumprir regras;

- acha que “é o maior” e que sabe fazer tudo;

- pratica agressão fácil, maltrato a animais;

- mente.

 

O que fazer?

- Não ponha em causa os seus sentimentos pela criança, referindo apenas que não aprova o seu comportamento.

- Converse com a criança e procure compreender porque está a agir assim e o que pode ser feito para ajudá-la.

- Procure ajuda.

- Dê orientações e limites firmes à criança.

- Procure meios alternativos não agressivos para ajudar o seu filho a manifestar as suas insatisfações. O desporto pode ser uma opção.

- Dê atenção às coisas positivas que a criança faz, elogie-a.

- Para estas crianças e adolescentes, a ajuda psicológica também é fundamental para os ajudar a lidar com os seus sentimentos e alterar o seu comportamento.

 

O papel dos pais na prevenção do bullying

- Os pais devem informar-se sobre o que é o bullying e conversar de forma aberta com os seus filhos, ensinando-os a reagir de forma assertiva perante as agressões.

- A criança deve ser incentivada a contar aos pais qualquer problema que ocorra na escola, sem ser julgada ou criticada.

- Os pais devem conhecer os amigos dos seus filhos e passar mais tempo de qualidade com eles.

- Os pais devem saber o que os seus filhos estão a fazer, onde estão e com quem, quando não estão sob a sua supervisão.

- É importante estarem atentos aos programas de televisão que os seus filhos vêem bem como aos jogos de vídeo e de computador, procurando reduzir a quantidade de violência a que são expostos.

- Os pais devem reunir-se regularmente com o professor titular ou diretor de turma e procurar conhecer a situação escolar do seu filho (rendimento, comportamento).

- É importante ensinar às crianças regras sociais e formas de resolver os conflitos sem recorrer à agressão.

- É também igualmente fundamental a promoção da autonomia das crianças pois muitas vezes o excessivo controlo parental resulta numa maior vulnerabilidade nos meios não familiares como a escola.