PHDA e Adolescência

• Os desafios da adolescência

• Comunicar com filhos adolescentes

• A dificuldade de lidar com o "Não"

 

Os desafios da adolescência

A adolescência corresponde a um período do desenvolvimento físico, psíquico e social com inúmeros desafios. Cada adolescente vive à sua maneira os diferentes conflitos próprios desta fase, que se repercutem intensamente quer em termos da vivência pessoal, quer familiar, escolar e social.

 

Nos adolescentes que têm PHDA, a travessia desta fase do desenvolvimento pode ser bem mais difícil de gerir pelo próprio e pelos que o rodeiam, já que surgem agravados, por vezes de forma “explosiva”, os conflitos internos próprios da adolescência.

 

Trata-se, pois, de uma etapa em que é fundamental um grande acompanhamento por parte das figuras parentais, família alargada, professores e outros intervenientes importantes na vida relacional do jovem. O acompanhamento médico e psicológico são também frequentemente fundamentais para assegurar uma maior estabilidade emocional e comportamental no decurso desta fase.

 

Do ponto de vista psíquico, cada jovem, ao longo do desenrolar da sua adolescência, deve ultrapassar três importantes desafios:

  • Adaptar-se às novas modificações corporais
  • Estabelecer relações psico-afectivas com os pares (amigos, namorado/a)
  • Conseguir uma maior autonomia psico-afectiva face às figuras parentais.

 

A maior impulsividade, menor capacidade de autorreflexão e de aprendizagem com os erros, condicionam negativamente o adolescente com PHDA. São mais frequentes:

  • A imprevisibilidade do humor e do comportamento
  • A impaciência e inquietação
  • A distração quase permanente, o “ar semi-acordado”
  • A dificuldade de organização pessoal
  • A desorganização  do seu espaço exterior (nomeadamente o quarto)
  • A falta de metodologia na aprendizagem escolar, bem como inúmeros esquecimentos relacionados com as actividades inerentes à aprendizagem,que fazem passar a imagem de  aluno desinteressado, preguiçoso, irresponsável
  • O desafio persistente perante as regras estabelecidas, quer em casa quer no exterior (escola e comunidade), que lhe conferem o “rótulo” de mal educado e trangressor.

 

Os diversos estudos de seguimento realizados em larga escala nos EUA, indicam que a maior parte das crianças com PHDA persiste com sintomatologia durante a adolescência (entre 70 a 85%). Nos adolescentes com PHDA, sobretudo nos que não são tratados, existe um maior risco de fraco desempenho escolar, inclusive maior abandono escolar, maior risco de acidentes, depressão e comportamentos desviantes: roubo, mentira, fuga, abuso de substancias aditivas como  tabagismo, álcool ou substancias ilícitas

 

A persistência da sintomatologia da PHDA na adolescência é agravada no caso de existirem co-morbilidades (isto é, outro problemas associados), como ansiedade, depressão e desafio-oposição. Uma história familiar de PHDA e fatores psicossociais adversos também constituem um risco acrescido para a manutenção das dificuldades.

 

É fundamental estabelecer uma aliança terapêutica entre os técnicos de saúde e o adolescente, os pais  e a escola. Os planos de tratamento devem ser individualizados e pode, contemplar:

  • intervenção psicoeducacional  (veja também aqui)
  • intervenção psicoterapeutica
  • tratamento farmacológico (com medicamentos)

 

Os planos de tratamento que contemplam a combinação da intervenção psicoterapêutica e farmacológica são mais bem sucedidos em termos da adesão e, consequentemente, associados a melhores resultados e maior satisfação dos adolescentes e famílias.

 

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Comunicar com filhos adolescentes

Nas famílias com adolescentes que têm PHDA, são mais frequentes os conflitos intrafamiliares. É necessário criar uma base relacional simultaneamente afetiva e disciplinadora, de forma a ajudar a conter nos jovens a  impulsividade e alterações de comportamento que consistem em perigosas “passagens ao ato”.

 

Cada família tem as suas regras internas. Pai e mãe devem falar primeiro entre si a propósito dos valores que considerem fundamentais na educação do seu filho, e posteriormente explicar com clareza essas regras ao filho. É habitual que, da parte deste, surja a necessidade de alguma negociação. Será sempre importante existir um relacionamento adequado e um diálogo franco e regular entre pais e filho adolescente, para que as normas sejam combinadas e razoavelmente cumpridas (isto é, pelo menos a maior parte das vezes…). À medida que o adolescente for mostrando responsabilidade,também deverá ser-lhe possibilitada uma maior  autonomia e liberdade de movimentos.

 

As dificuldades sentidas ao longo dos anos minam fortemente a autoestima dos adolescentes  com PHDA,tornando-os muito sensíveis à opinião alheia. O reforço positivo (como o elogio, o encorajamento ou as celebrações) é muito importante. Quando o adolescente faz “algum disparate” - que é o que é expectável - é fundamental que os pais mantenham uma atitude o mais calma e segura possível para lidar com a situação, dialogando com o filho, incentivando-o a modificar positivamente a sua atitude. É aconselhável que os pais lhe possibilitem algum tempo antes de dar início ao diálogo, para evitar que a impulsividade e dificuldade de auto-controle característicos da PHDA agravem a situação.

 

Cabe aos pais perceber que há assuntos pouco importantes, que devem desvalorizar (e pensar que “fazem parte da idade”). Não se aconselham conflitos, sempre desgastantes, a propósito de aspetos pouco significativos. As normas parentais não devem ser excessivamente rígidas e controladoras, já que induzem normalmente o efeito contrário ao desejado, isto é, uma maior rebelião por parte do adolescente. Os pais devem reservar a sua maior atenção para os  aspectos mais importantes ou mais graves do funcionamento psíquico e do comportamento do filho.


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Dificuldade de lidar com o "Não"

O adolescente tem intrinsecamente dificuldade em relação à interdição. É difícil ouvir o “não”, mas deve aprender a aceitá-lo. Esse processo faz parte do desenvolvimento e é fundamental para a preparação para a vida adulta.

 

O que acontece com alguma  frequência no presente é que, nalgumas famílias, se perdeu a noção de diferença de gerações no que diz respeito à autoridade parental. É mais fácil ceder às exigências dos filhos, mesmo enquanto crianças, porque educar exige tempo, determinação e esforço, que não raro os pais percebem, mas o cansaço inerente ao seu quotidiano quer fazer esquecer.

 

Assim, nalgumas famílias, desde cedo se assiste à rendição parental face aos caprichos dos filhos. Quando tal acontece, é de esperar que a atitude do filho na fase da adolescência se vá agravar, atingindo nalguns casos uma prepotência que já é bastante mais difícil de gerir do que na infância.

 

Para o próprio adolescente, torna-se difícil lidar com a falta de limites, especialmente se tiver PHDA. É, pois, muito importante que os pais desde cedo se preocupem em servir de bons modelos de identificação para os seus filhos, em termos da sua atitude.

 

Em algumas situações existem queixas mais marcadas de oposição-desafio, desde cedo, que tendem a agravar-se na adolescência, podendo precisar de intervenção dirigida a estes problemas - saiba mais aqui.

 

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