Tempos Livres

• Os fins-de-semana
• As férias

Os tempos livres (férias e fins de semana) são geralmente aguardados com uma expectativa agradável pelas famílias, mas constituem um desafio para os pais de crianças com PHDA, pois implica passarem mais tempo juntos, com alguém que por natureza se pode tornar irrequieto e impulsivo, tornando difícil a convivência familiar e social.

 

As possibilidades de desarrumação, os comportamentos de desafio e oposição e as birras aumentam, criando conflito e stresse no relacionamento entre os membros da família.

 

Para o controlo do comportamento de crianças com PHDA, é importante a estruturação do ambiente, tornando-o mais favorável ao aumento da motivação para seguir as regras e trabalhar na conquista de objetivos.

 

Diariamente estas crianças recebem uma quantidade de críticas negativas, desaprovações e chamadas de atenção, pelo que facilmente podem desanimar. Precisam sentir o amor incondicional e a aceitação das suas famílias, saber que não são diferentes aos olhos dos pais, para se sentirem mais seguros e confortáveis.

 

Nesta perspetiva, é extremamente importante que a rejeição e/ou repreensão do(s) comportamento(s) indesejável(eis), nunca seja sentida como uma rejeição de si próprio!

 

Os fins-de-semana
 

Aos fins-de-semana poderão ser criadas condições para a descoberta de novos interesses e/ou explorar interesses comuns (pais-crianças), com base nos próprios gostos e ideias da criança, reforçando as suas potencialidades e competências.


Como tal, poderão ser exploradas algumas das seguintes ideias:


- prática de atividades desportivas, preferencialmente em grupo, que estimulem as capacidades de atenção e de autocontrolo. As artes marciais, por exemplo, poderão constituir uma grande mais-valia;
- participação nos escuteiros, atividade que promove a autonomia, responsabilização e sociabilização, fortaleçendo o espírito de equipa e entreajuda;
- promover a construção de brinquedos, atuais ou a partir de antigos brinquedos dos pais, o que estimula a imaginação e criatividade da criança e possibilita a partilha mais individualizada com o progenitor;
- sempre que o tempo permita, levar a criança para espaços exteriores, jardins ou parques, onde poderá gastar alguma da sua energia.

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As férias

Nas férias escolares as crianças são mais livres de escolherem as atividades que vão fazer, os horários são mais flexíveis, sentem menos pressão na obtenção de bons resultados, o que lhes proporciona mais prazer na nova rotina e, por vezes, uma melhoria do comportamento.

 

Contudo, a ausência de limites e regras pré-definidas, poderá também constituir um grande desafio para as crianças com PHDA, uma vez que a probabilidade de ocorrerem comportamentos indesejáveis e momentos de maior tensão poderá aumentar significativamente, face às suas dificuldades ao nível da capacidade de autorregulação e do controlo dos impulsos. 

Neste contexto, poderão ser adotadas algumas estratégias úteis:


- gerir horários e rotinas, que apesar de se tornarem mais flexíveis, ou até mesmo poderem mudar, é importante que se mantenham como elementos orientadores da organização e do planeamento das atividades das crianças. Para as crianças com PHDA, a possibilidade de entrarem em auto-gestão, isto é, de decidirem sistematicamente o horário em que almoçam, adormecem e/ou vão brincar, embora lhes pareça muito apelativo e satisfatório, a curto prazo poderá tornar-se muito frustrante não só para os pais, como também para as próprias crianças, que se verão confrontadas com as repetidas chamadas de atenção e repreensões sobre os mesmos assuntos;

- mediar os tempos das atividades diárias como, por exemplo, os jogos de computador e/ou outras consolas de vídeojogos que hoje em dia preenchem os tempos livres das crianças e para os quais as crianças com PHDA demonstram maior gosto e interesse. É fundamental a existência de intervalos pré-definidos, bem como a supervisão estreita e direta de um adulto para que estes possam ser cumpridos.

- deixar a criança ir passar um tempo a casa de um familiar que não vê há algum tempo, de preferência num lugar fora do habitual.
Estadias em locais afastados da cidade e com mais espaços livres, proporcionam novas experiências e aprendizagens, assimilar novas formas de estar e novos valores sobre a natureza.

- frequência de colónias/campos de férias.
Esta é uma boa opção para crianças mais velhas e adolescentes. As atividades deverão ser vigiadas por monitores responsáveis e conhecedores das maiores dificuldades das crianças com PHDA, de modo a deixá-los extravasar a sua agitação motora, mas sempre com regras de comportamento pré-estabelecidas.

- brincar com os vizinhos.
Mesmo sem sair de casa, podem-se fazer novos amigos, partilhando coisas novas e diferentes.
O fortalecer laços relacionais, criando espaços de interesses comuns, com tempos para dialogar, para aprender a ouvir e a sentir-se ouvido, estimula as suas competências pessoais e sociais, ajudando a criança na sua aprendizagem constante ao nível da gestão das suas emoções e dos seus comportamentos. Assim, à medida que a criança cresce, o seu interesse pelo diálogo nas interações sociais vai também despertando e aumentando.

- iniciar ou praticar em conjunto uma atividade física ou um desporto do seu gosto.
Uma das características mais comuns entre as crianças com PHDA é apresentarem uma maior descoordenação motora, o que por vezes poderá dificultar a agilidade para determinados atividades e uma desmotivação da sua prática.

Esta é uma oportunidade de partilha, o fazer sentir-se compreendido e motivado. É importante reconhecer e apreciar os seus esforços, encarando as suas dificuldades sem crítica ou sarcasmo.

 

Dada a irrequietude psicomotora característica, pode haver maior propensão para a ocorrência de acidentes, pelo que a vigilância é essencial. Estar inserido num grupo de férias desportivas da sua zona de residência (e/ou na zona de residência de algum outro familiar próximo), conhecer novos amigos e interagir com crianças de outras idades, poderá ser uma experiência enriquecedora.


O principal objetivo é que, tanto as famílias como as crianças, consigam desfrutar dos tempos livres passados em conjunto, a brincar e relacionando-se de uma forma saudável, fortalecendo os laços familiares.

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(...)
"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,


Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca."
(...)

Fernando Pessoa (Cancioneiro)