Atividades extracurriculares

As atividades extracurriculares têm vindo a assumir maior relevância ao longo dos últimos anos e muitas fazem já parte do currículo escolar regular. Como é o caso das atividades de enriquecimento curricular (vulgarmente chamadas por “AEC’s”), que estão disponíveis para os alunos do 1º ciclo de escolaridade.

 

Vários estudos, e diferentes autores, sublinham a importância das atividades extracurriculares. Atividades como as artes, o desporto e/ou oficinas diversas, proporcionam diferentes oportunidades para o crescimento e para o desenvolvimento das crianças.

 

Neste contexto, são referidas como fortes contributos para o desenvolvimento positivo de crianças e jovens, tendo em consideração:

- serem atividades supervisionadas e orientadas por um adulto, o que possibilita a criação de um espaço mais estruturado, diminuindo a probabilidade de conflitos;
- colocarem maior ênfase no desenvolvimento das competências de cada um e, assim, cada criança poder também descobrir quais as suas áreas mais fortes vs áreas mais fracas; escolher atividades que gosta vs atividades que não gosta, explorando a sua própria identidade;
- permitirem demonstrar as suas capacidades de persistência, concentração, bem como o esforço e o empenho envolvidos nas áreas que mais gostam, onde se sentem particularmente valorizados/motivados;
- terem horários regulares, o que permite a interiorização progressiva de uma maior capacidade de organização, de planeamento, bem como do estabelecimento de prioridades por parte das crianças;
- requerem treino de capacidade de atenção, que o próprio envolvimento na atividade exige;
- implicarem maior convivência e interação com, e entre pares, favorecendo o estabelecimento de comportamentos pró-sociais e reduzindo o risco de comportamentos antissociais e/ou problemáticos.
(Eccles & Barber, 1999; Mahoney & Stattin, 2000; Eccles & Gootman, 2002).


Outros estudos revelaram também a existência de correlações positivas entre a prática de atividades extracurriculares e um melhor ajustamento psicoemocional, nomeadamente maior autoestima e menor incidência de depressão (Barber, Eccles & Stone, 2001; Fredricks & Eccles, 2005).


No caso das crianças com PHDA, que enfrentam elevados níveis de stresse diários ao tentar lidar com os diversos desafios a que estão sujeitos, encontrar atividades positivas para relaxar e/ou canalizar de forma produtiva as suas energias, assume ainda maior importância.
Como tal, é benéfico e terapêutico ensinar às crianças diferentes caminhos de como podem acalmar a sua mente e o seu corpo, bem como libertar os seus níveis de stresse, o que gradualmente as irá capacitar de maior sentimento de autocontrolo (Rief, 2005).

 

Desta forma, os professores poderão ter nas atividades extracurriculares que lecionam, uma oportunidade única de contribuir para uma maior motivação, empenho, sentimento de autocontrolo, treino das capacidades de atenção, de concentração e de organização e planeamento diário das crianças com PHDA.
Durante as atividades extracurriculares, poderão também ser criados espaços de maior e melhor conhecimento da criança, dos seus gostos e preocupações individuais.
Ao mesmo tempo, favorece-se uma relação de maior proximidade entre aluno – professor, podendo ter maior liberdade de selecionar atividades e/ou conteúdos que vão ao encontro dos interesses da criança (por exemplo, na aula de música optar pela música “x” para aprender determinado conteúdo). Com base nos interesses individuais, aumentar-se-á a motivação da criança para a aprendizagem e, consequentemente, haverá maior investimento na capacidade de manter a atenção e a concentração necessárias à concretização da tarefa.


“Assim, as atividades extracurriculares poderão constituir

mais do que um reforço das aprendizagens académicas,

um reforço das competências sociais e interpessoais da criança”