A importância da atenção

“Quando captar a atenção dos alunos não parece tarefa fácil,
existem algumas estratégias que podem fazer a diferença…”

 

Uma vez que as crianças com PHDA apresentam acentuadas dificuldades em manter a atenção e a concentração durante longos períodos, este é um tema que merece particular enfoque, principalmente no trabalho com grupos de crianças e onde nem sempre a atenção pode ser individualizada. 

 

Durante os primeiros anos de vida escolar, é fundamental que as tarefas sejam apresentadas de forma simples, com instruções objetivas e numa série de passos a seguir, para facilitar a adaptação e organização das crianças. Como, por exemplo:

- “Hoje vamos fazer um desenho”,
- “Vai buscar uma folha nova”,
- “Agora tira o lápis do teu estojo”,
- “Agora tira a régua”,
- “Coloca a régua na margem esquerda da folha”,
- “Agora com o lápis, vamos fazer um traço…”,
- …

 

Até que se cumpram com sucesso a(s) tarefa(s) e a criança possa ser positivamente reforçada por isso.

 

Será igualmente pertinente, confirmar sempre junto da criança se ela compreendeu as instruções, para perceber se foram devidamente apreendidas. Sempre que tal se justifique, poderá também ser pedido à criança que explique por palavras suas o que lhe foi solicitado, para se certificar que a mensagem e os conteúdos chegaram da forma desejada.

 

As instruções dadas devem ser curtas, repartidas em pequenas partes, num tom de voz tranquilo, mas firme.
Deve-se dizer claramente o que se pretende que a criança faça e o que não se quer que ela faça. As instruções longas não funcionam com crianças com PHDA, pois elas têm dificuldades em organizar a informação e, por isso, o excesso de dados pode acabar por confundi-las (Barkley, 2004).

 

Existem também outras estratégias para focar e manter a atenção que se poderão revelar fundamentais e fazer a diferença, em contexto sala-de-aula:

colocar a criança sentada mais à frente, perto do professor, para poder manter o contacto visual e reforçá-la positivamente enquanto trabalha.

 

ajudar o aluno a organizar o seu espaço de trabalho, deixando a mesa desprovida de quaisquer elementos distratores (por exemplo, evitar estojos e canetas demasiado elaboradas e com funções extra, para além daquilo que é estritamente necessário).

 

- permitir que a criança ocupe uma mesa mais isolada e/ou esteja noutra sala, nos momentos e atividades que requerem mais concentração.

 

- evitar a apresentação de conteúdos pedagógicos em diapositivos de powerpoint com demasiados movimentos e sons ao mesmo tempo. Aquilo que pode chamar à atenção num primeiro momento, quando replicado e disperso numa mesma sequência, poderá depois ter o efeito contrário.
Ou seja, diapositivos com muitas imagens, sons e movimentos, podem funcionar como mais um elemento distrator para o aluno com PHDA, deixando-o absorvido pelos pormenores, sem a apreensão dos conteúdos essenciais lecionados.

 

- a importância de usar sinalépticas/sinais
Os professores devem estabelecer os sinais visuais e auditivos para captar a atenção dos alunos, mobilizando a sua atenção para o “aqui e agora” dentro da sala de aula. Como, por exemplo:

• Estabelecer sempre o contacto ocular com o aluno, poderá privilegiar também uma relação mais estreita com o aluno.

• Usar a comunicação não verbal, combinando previamente com o aluno um gesto específico e/ou com um objeto (por exemplo, virar um copo de plástico ao contrário, em cima da mesa do professor) que funcionará discretamente como uma chamada de atenção individualizada. Esta estratégia também é valiosa para evitar a exposição ao grupo, sistemática e negativa, das suas dificuldades de manutenção da atenção e da concentração.
Esta estratégia poderá revelar-se mais útil e funcional nos casos de desatenção do que nos casos de maior irrequietude psicomotora e/ou marcada tendência para a impulsividade. Daí, a importância de que para cada criança com PHDA deverão ser adaptadas as estratégias mais ajustadas, em colaboração com a equipa multidisciplinar de profissionais de saúde que a acompanha (Rief, 2005).

 

- apresentar as tarefas mais longas e complexas repartidas em formas mais simples e curtas como, por exemplo, dar primeiro uma folha da ficha de trabalho e quando o aluno terminar a tarefa, entregar a página seguinte e assim sucessivamente.
Poderá ser igualmente benéfico estipular previamente um tempo mais curto para a execução da cada uma das partes da ficha de trabalho ao invés de entregar a sua totalidade - tempos mais curtos serão mais facilmente geridos pelas crianças com PHDA.

 

- utilizar o reforço positivo, sempre que tal se justifique.

• Criar uma Caderneta de Bom Comportamento, em contraponto com as funções informativas da vulgar Caderneta do Aluno que, para muitas crianças com PHDA, tem uma conotação totalmente negativa enquanto canal de comunicação escola-casa.
• Colocar uma cartolina na parede para pintar/colocar pontos ou estrelas de cada vez que a criança termine uma tarefa. Para além de funcionar como registo de bom comportamento, aumentará o rendimento do aluno e também funciona como pretexto para que se vá levantando para colocar a estrela e nesse intervalo possa “mexer-se”.
• Atribuição de pontos – que se podem traduzir em pequenos prémios, cada vez que consiga terminar uma tarefa (uma tarefa concluída = uma estrela; 3 estrelas = poder escolher um jogo lúdico-pedagógico para fazer com os colegas e professor).

 

Aquando do uso dos reforços positivos - seja com base nos exemplos supracitados seja, por exemplo, através da criação de “quadros de honra” relativos aos seus comportamentos - é importante que o professor se certifique que em algum momento do ano letivo, todas as crianças possam reunir condições para que o seu nome apareça e/ou que ganhe mais pontos.

 

Caso contrário, este tipo de estratégias poderá ter o efeito completamente contrário, isto é: o que poderá ser um reforço positivo para um aluno, irá traduzir-se num reforço negativo, ou seja, em algo muito frustrante, para aquele aluno que nunca conseguir alcançar o objetivo proposto.

 

- dar mais atenção à criança nos momentos em que esteja mais concentrada (reforçar o comportamento positivo).

 

- por vezes, ignorar os comportamentos desadequados e reforçar os comportamentos desejáveis - como por exemplo, ignorar de cada vez que se levante para afiar o lápis e olhar com satisfação e aprovação cada vez que esteja a fazer a ficha de trabalho proposta - ajudará a criança com PHDA a aprender a gerir melhor o seu comportamento.