Dificuldades de aprendizagem

• Dificuldades de Aprendizagem

• Leitura e Ortografia

• Oralidade

• Matemática
 

Dificuldades de Aprendizagem

De acordo com diversos autores, a maioria das crianças com PHDA apresentam dificuldades de aprendizagem.

A capacidade intelectual destas crianças pode ser abaixo do esperado para a faixa etária, dentro do esperado ou acima da média esperada para a sua faixa etária.


No entanto, as dificuldades acrescidas ao nível da atenção, a falta de reflexão (agir antes de pensar) e/ou a constante agitação motora não favorecem a sua aprendizagem. Pelo contrário, podem bloquear a criança, originando um insuficiente rendimento escolar (Polaino-Lorente & Ávila, 2002).


Neste contexto, mais de 25% de crianças com PHDA apresentam dificuldades particulares de aprendizagem, que originam desfasamentos significativos ao nível da leitura, escrita, cálculo, expressão oral, entre outras. Assim, com o passar do tempo e sem estratégias de intervenção ajustadas, os seus resultados académicos tendem a baixar, podendo levar ao insucesso escolar (Falardeau, 1999).


Como fatores responsáveis, incluem-se as dificuldades de atenção, de memória, baixa resistência à frustração, bem como o escasso controlo dos impulsos.


Na realidade, uma das principais causas da existência de um desempenho escolar aquém das suas capacidades é o défice de atenção, que se traduz numa dificuldade em selecionar os estímulos de forma adequada, assim como manter a atenção de modo constante numa atividade, ou assunto, que não desperte o interesse da criança.

Como tal, podem implicar dificuldades escolares não só em termos de seleção e retenção da informação relevante, mas também na manutenção da atenção durante longos períodos de tempo.

 

Um défice de atenção provocará diferenças consideráveis ao nível da qualidade e da quantidade de informação que os sujeitos poderão processar (Ramalho, 2005). Aquando da chegada da informação às crianças, elas fixam-se em detalhes mínimos e não são capazes de apreender a ideia principal, por isso quando respondem a uma pergunta, podem fazê-lo de modo superficial.

Habitualmente há também uma má distribuição do tempo na realização das suas tarefas, face às dificuldades acrescidas ao nível das capacidades de organização e de planeamento.
 

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Leitura e Ortografia

A leitura é uma das atividades que melhor propicia a avaliação da interferência de défices de atenção no desempenho linguístico. Sendo a leitura precedida do processamento visual dos sinais gráficos, implica a necessidade de atenção.


Assim, as crianças com PHDA podem apresentar:
– acentuadas dificuldades ao nível da compreensão da leitura;
– dificuldades na segmentação fonémica;
– dificuldades no processamento e na leitura visual – reconhecer palavras pela forma;
– dificuldades na gestão dos impulsos, escasso autocontrolo, bem como problemas de compreensão pelas dificuldades ao nível da memória de trabalho;
- dificuldade no respeito da pontuação - frequentemente fazem leitura sem interrupções, desprovida de entoação;
- facilidade em omitir palavras e/ou saltar de linha, se não tiver um marcador (por exemplo, a ajuda do dedo).


Podem também ocorrer comorbilidades, isto é outras situações/diagnósticos associadas(os), como é o caso da dislexia e/ou da disortografia. Vários estudos apontam para percentagens entre os 15 e os 40% de associação entre o diagnóstico de dislexia e o diagnóstico de PHDA (DSM-IV-TR cit. in Willcut et al., 2005)
 

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Oralidade

Os níveis de desatenção, as alterações ao nível da memória de trabalho e das funções executivas, são a causa da maioria das dificuldades ao nível da expressão oral destas crianças.


As crianças com PHDA tendem a antecipar respostas, interromper conversas e têm tendencialmente um discurso mais desorganizado.


Frequentemente perdem-se em pormenores irrelevantes e podem não conseguir dar uma ideia global ao seu discurso. O seu discurso pode sofrer várias interrupções e podem também saltar de um assunto para outro. Quando lhes são colocadas perguntas abertas, podem responder por exemplo, “não sei” ou “não me lembro”, sem se esforçarem a pensar e a organizar o discurso.
Podem ter também maiores dificuldades em adaptar o discurso ao interlocutor – falta de habilidades pragmáticas da linguagem.
 

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Matemática

As dificuldades de cálculo mental são muito frequentes nas crianças com PHDA.


Estas crianças nem sempre manifestam dificuldades em reproduzir os números de memória e podem contar por correspondência e/ou com base no concreto (por exemplo, contar pelos dedos) mas, sem este suporte, é mais difícil. 

Podem ter dificuldades em recordar sequências de dígitos, aprender as tabuadas, entender o significado dos sinais e o tamanho relativo das figuras, assim como compreender conceitos matemáticos mais complexos.

Podem ainda ocorrer comorbilidades, isto é situações/diagnósticos associadas(os), como é o caso da discalculia.

 

Contudo, é importante salientar que, cada caso é um caso, pelo que é fundamental ser analisado e avaliado individualmente. As estratégias a adotar devem ser o mais ajustadas possível às dificuldades de cada criança.
 

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