Respostas do Especialista

 

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As perguntas são respondidas pela equipa de neurodesenvolvimento do Clube PHDA.

A maior parte das perguntas têm sido muito pessoais. Naturalmente, não serão colocadas no site sem a sua autorização prévia.

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  1. O meu filho tem suspeita de PHDA, o que devo fazer?
  2. O meu filho tem dificuldades escolares, tem direito a apoio?
  3. Qual é o impacto da PHDA quando não é tratada?
  4. Os métodos de neurofeedback são eficazes na PHDA?
  5. Como lido com a dificuldade do meu filho em controlar os impulsos e nas alturas em que não ouve ninguém?
  6. A PHDA é uma doença crónica?
  7. A PHDA é hereditária ou pode aparecer em qualquer pessoa?

 

 


1. O meu filho tem suspeita de PHDA, o que devo fazer?

Resposta do Dr. Filipe Glória Silva, Pediatra do Neurodesenvolvimento:

Todas as crianças com suspeita de PHDA devem ter uma avaliação médica em Consulta de Desenvolvimento ou, em alternativa, em Consulta de Pedopsiquiatria ou de Neuropediatria.

Concomitantemente, pode ser muito importante uma avaliação em Consulta de Psicologia, para aferir quais as necessidades e/ou potencialidades que devem ser trabalhadas e estimuladas, bem como as estratégias mais adequadas para cada criança, tanto em contexto escolar como em contexto familiar. Esta avaliação pode ser realizada na escola, se houver disponibilidade e capacidade de resposta por parte da equipa de psicologia.

A urgência das consultas depende da intensidade das queixas, da persistência de dificuldades escolares, da repercussão na motivação e na autoestima da criança, assim como interferência na sua vida social e familiar.

Quando as medidas que já foram implementadas não estão a ser suficientes e/ou eficazes, deve ser feita uma reavaliação logo que possível. Neste contexto, é igualmente importante haver um acompanhamento por parte da equipa de neurodesenvolvimento para se poderem aferir novas estratégias de intervenção ajustadas aos progressos e/ou às dificuldades de cada criança. Cada novo ano de escolaridade poderá constituir um novo desafio que requer, da parte de todos, novas respostas.

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2. O meu filho tem dificuldades escolares, tem direito a apoio?

Resposta da Dra. Rita Antunes e da Dra. Carmen Rosa, Psicólogas:

Nas escolas, estão previstos vários tipos de apoio que dependem do grau de dificuldade que os alunos apresentam, do sucesso das medidas anteriores e de avaliações médicas e psicológicas que comprovem a existência de problemas específicos como a PHDA. Assim, existem procedimentos legais que permitem mobilizar determinadas medidas educativas, para que a criança possa usufruir de apoios e estratégias ajustadas às dificuldades, de forma a potenciar a sua aprendizagem.

Numa primeira fase podem ser adotados planos de recuperação e de acompanhamento. Contudo, algumas crianças apresentam Necessidade Educativas Especiais (NEE), que são definidas como: " aquelas que têm certos alunos com dificuldades maiores que o habitual (mais amplas e mais profundas) e que precisam, por isso, de ajudas complementares específicas. Determinar que um aluno apresenta NEE supõe que, para atingir os objetivos educativos, necessita de meios didáticos ou serviços particulares e definidos, em função das suas características pessoais”. (Brennam, W. K., 1990).

O enquadramento legal mais utilizado neste âmbito, tem por base o Decreto-Lei nº 3/2008, e que poderá ser recomendado pelo profissional ou equipa que efetuar a avaliação da criança. Esta legislação define os apoios especializados a prestar, através da criação de condições que permitam a adequação do processo educativo às necessidades educativas especiais dos alunos com dificuldades de carácter permanente (como é o caso da PHDA).

Decreto-Lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro pretende “a promoção de uma escola democrática e inclusiva, orientada para o sucesso educativo de todas as crianças e jovens”. Este DL define os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário dos setores público, particular e cooperativo, visando a criação de condições para a adequação do processo educativo às necessidades educativas especiais dos alunos aos alunos com limitações significativas ao nível da atividade e da participação num ou vários domínios da vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais, de carácter permanente, resultando em dificuldades continuadas ao nível da comunicação, aprendizagem, mobilidade, autonomia, relacionamento interpessoal e participação social.
O Decreto-Lei estabelece as seguintes medidas educativas de educação especial:

a) Apoio pedagógico personalizado;
b) Adequações curriculares individuais (*);
c) Adequações no processo de matrícula;
d) Adequações no processo de avaliação;
e) Currículo específico individual (*);
f) Tecnologias de apoio.

(*) não acumuláveis entre si.

No caso da PHDA, as medidas mobilizadas com maior frequência são: (a) apoio pedagógico personalizado e (d) adequações no processo de avaliação; medidas estas que permitem uma supervisão mais individualizada por parte do professor, e que o aluno beneficie de uma forma de avaliação ajustada às suas principais dificuldades.

As crianças com PHDA poderão beneficiar deste DL pelos seus desafios nas funções da atenção especificadas na Classificação Internacional para a Funcionalidade (CIF).
Neste contexto, cada caso deverá ser analisado individualmente e as medidas devem ser adaptadas à situação e às necessidades específicas de cada aluno.

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3. Qual é o impacto da PHDA quando não é tratada?

Resposta do Dr. Filipe Glória Silva, Pediatra do Neurodesenvolvimento, e da Dra. Rita Antunes, Psicóloga Clínica:

Quando não é reconhecida e tratada, a PHDA pode ter um impacto profundo na vida das pessoas afetadas e das suas família, com risco aumentado para vários problemas.

Na infância e adolescência: mais disputas entre irmãos, poucos amigos, abandono escolar precoce, aumento de traumatismos em acidentes, maior tendência para o uso do tabaco ou drogas ilícitas, maior risco de gravidez na adolescência, menor produtividade dos pais, maior risco de separação ou divórcio dos pais.

Na vida adulta: mau desempenho profissional, maior absentismo, condução com excesso de velocidade e acidentes de automóvel mais frequentes, sintomas depressivos e perturbação da personalidade.

Assim, é importante reconhecer e tratar precocemente a PHDA de forma a minorar estes riscos.

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4. Os métodos de neurofeedback são eficazes no tratamento da PHDA?

Resposta do Dr. Filipe Glória Silva, Pediatra do Neurodesenvolvimento:

O neurofeedback ou biofeedback é uma técnica de intervenção com registo de eletroencefalograma (EEG) que procura ensinar o indivíduo a modular a sua atividade cerebral. Os resultados dos estudos de investigação nesta área são promissores, mostrando benefícios sobretudo a nível da atenção. Contudo, existem algumas limitações metodológicas relacionadas com a não utilização de grupos de controlo, a falta da ocultação do tipo de intervenção ou a combinação com outros tratamentos. Por outro lado, podem ser utilizados diferentes protocolos e os resultados de métodos diferentes podem não ser os mesmos. São necessários mais estudos para caracterizar o impacto deste tipo de intervenção.

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5. Como lido com a dificuldade do meu filho em controlar os impulsos e nas alturas em que não ouve ninguém?

Resposta da Dra. Carmen Rosa e da Dra. Rita Antunes, Psicólogas:

Na PHDA, as crianças poderão ter dificuldades em controlar os seus comportamentos/impulsos, ou até mesmo em cumprir as regras. Assim, devemos ter em consideração alguns pontos importantes que são facilitadores:

- Dar instruções simples, em sequência. Evitar dar mais do que uma ordem de uma só vez;
- As regras devem ser dadas de uma forma clara, direta e imperativa (como instrução e não como pedido). Devemos especificar o que queremos, numa linguagem adequada à criança;

- Utilizar um tom de voz calmo, evitando assim momentos de maior tensão ou conflito;

- Dar instruções a curta distância. Devemo-nos certificar que a criança nos está a ouvir e manter o contacto ocular. Se falarmos de uma divisão da casa para outra, provavelmente a regra não será ouvida...

- Devemos pedir à criança que repita a regra, para nos certificarmos que a mesma foi ouvida e compreendida;

- As regras devem ser consistentes entre ambos os progenitores;

- É necessário reforçar e elogiar os comportamentos adequados, isto é, quando a criança corresponde ao solicitado. A probabilidade de voltar a acontecer é maior!
 

Tudo isto é tão mais válido e importante, quanto nós deixarmos serenar primeiro os ânimos da criança. É fundamental o nosso tempo e compreensão. Dependendo da idade da criança, uma estratégia possível poderá ser incentivá-la a retirar-se para um espaço mais calmo e isolado ou, por exemplo, sentar-se na "cadeira do pensamento", e depois conversar sobre o que estava a pensar ou a sentir, funcionando este momento como contentor das suas angústias e revolta.

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6. A PHDA é uma doença crónica?

Resposta do Dr. Filipe Glória Silva, Pediatra do Neurodesenvolvimento:

Existe mais de uma definição de doença crónica sendo que pode ser definida como uma doença que é controlada mas não curada de forma completa e definitiva.

O défice de atenção (e de outras funções executivas) que se observa na PHDA, tem um carater prolongado na infância e adolescência, estendendo-se até à idade adulta. Estima-se que um terço a metade dos indivíduos continuem a ter desafios significativos na idade adulta, necessitando de algum tipo de apoio. Neste sentido, a PHDA pode ser enquadrada como uma doença crónica.

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7. A PHDA é hereditária ou pode aparecer em qualquer pessoa?

Resposta da Dr. Sandra Afonso e do Dr. Filipe Glória Silva, Pediatras do Neurodesenvolvimento:

A PHDA tem habitualmente uma origem multifatorial, ou seja, resulta da interação de diversos fatores.

Estima-se que cerca de 25 % das crianças com PHDA têm um familiar próximo com o mesmo diagnóstico, sendo o risco maior se for um irmão (nesse caso pode chegar a 30-40%). Por outro lado, é frequente que os pais identifiquem o comportamento da criança com a sua própria infância ou de algum familiar próximo. Por vezes os familiares adultos têm queixas ligeiras que não chegam para ter um diagnóstico de PHDA, mas crianças tem queixas mais acentuadas. De facto, já foram identificados genes que podem estar implicados no desenvolvimento da PHDA mas, como são variáveis de família para família, o seu estudo ainda não é útil na prática clínica, estando reservado para a investigação científica.

Considerando fatores do meio ambiente, a exposição pré-natal a tabaco, álcool e tranquilizantes tem sido associada a maior risco de PHDA na criança. Também a prematuridade e o baixo peso ao nascer são condições com risco acrescido para esta perturbação. 

Com menor frequência, as infeções graves do sistema nervoso central (meningites bacterianas, encefalites) e traumatismos cranianos graves podem estar implicados, por deixarem sequelas na estrutura e função do cérebro que se refletem na atenção e na regulação do comportamento.

Por outro lado, algumas crianças parecem ser muito sensíveis a aditivos alimentares como os corantes e açúcares refinados observando-se exacerbação dos sintomas. Alguns nutrientes também têm sido implicados com dados menos consistentes nos estudos científicos: ácidos gordos essenciais, ferro e zinco.

Em conclusão, existem várias causas possíveis para a PHDA mas, à luz do conhecimento atual, a hereditariedade é um dos fatores mais importantes.

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